“E assim nos tornamos amigos – só não digo “inseparáveis”, porque outras viagens nos separaram, cada um para o seu lado. Mas a amizade continuou, através das “cartas perto do coração”, de 1946 a 1969, com uma frequência só interrompida quando nos encontrávamos ambos no Rio:
“Trocávamos idéias sobre tudo. Submetíamos nossos trabalhos um ao outro. Juntos reformulávamos nossos valores e descobríamos o mundo, ébrios de mocidade. Era mais do que a paixão pela literatura, ou de um pelo outro, não formulada, que unia dois jovens ‘perto do coração selvagem da vida’: o que transparece em nossas cartas é uma espécie de pacto secreto entre nós dois, solidários ante o enigma que o futuro reservava para o nosso destino de escritores”.
(Fernando Sabino, falando de sua amizade com Clarice Lispector, na abertura de Cartas Perto do Coração)
Poesia, sempre!


